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Insights

Tax Advisory · 8 min de leitura

SIFIDE em números: procura elevada e milhares de candidaturas ainda em avaliação

Os indicadores da ANI confirmam a crescente relevância do SIFIDE no apoio à I&D empresarial. Revelam também uma realidade com impacto direto na gestão das empresas: quando o ciclo de 2025 já foi submetido, uma parte muito significativa das candidaturas de 2024 continua em avaliação, mantendo em aberto o investimento que será reconhecido e o crédito fiscal que será atribuído.

Equipa AXIST

SIFIDE em números: procura elevada e milhares de candidaturas ainda em avaliação

O painel de indicadores do SIFIDE, atualizado a 25 de agosto de 2026, permite observar a evolução do incentivo desde 2006. Nesse período, foram aprovadas 32.597 candidaturas, apresentadas por 10.277 empresas distintas. O investimento em I&D apurado ascendeu a 12.575,1 milhões de euros e o crédito fiscal atribuído atingiu 6.545,7 milhões de euros.

Estes valores confirmam a dimensão alcançada pelo SIFIDE. Contudo, a leitura dos anos mais recentes exige distinguir a procura pelo incentivo dos resultados já apurados. Em 2024 e, sobretudo, em 2025, os montantes aprovados refletem apenas a parcela dos processos que já chegou a uma decisão.

Uma procura que mudou de escala

Em 2006 foram recebidas 442 candidaturas. O volume anual permaneceu durante vários anos próximo das mil, mas acelerou a partir de 2017: 2.378 candidaturas em 2019, 3.358 em 2020, 4.486 em 2022 e um máximo de 5.705 em 2023.

Em 2024, o total recuou para 3.222 candidaturas, voltando a aumentar para 3.630 em 2025. Entre estes dois anos, o número de candidaturas cresceu 12,7%, o investimento declarado passou de 2.134,3 milhões para 2.354,2 milhões de euros e o crédito fiscal solicitado aumentou de 723,9 milhões para 797 milhões de euros.

Apesar de 2025 permanecer abaixo do máximo de 2023, a procura mantém-se muito superior à observada no início da série. O SIFIDE passou de algumas centenas para vários milhares de projetos por ano, aumentando também o volume de candidaturas a analisar.

2024: mais de metade das candidaturas sem aprovação registada

Em 2024 foram recebidas 3.222 candidaturas. À data de atualização do painel, apenas 1.500 constavam como aprovadas. Mais de 1.700 processos — 53,4% do total — não apresentavam, portanto, uma aprovação registada.

Isto não significa que tenham sido recusados. O gráfico por situação mostra que a avaliação era claramente dominante entre estes processos, sendo residual a parcela classificada como não aprovada. A principal conclusão é que, em agosto de 2026, uma parte muito significativa do ciclo de 2024 continuava por concluir.

O enquadramento temporal reforça esta leitura. Para as empresas com período de tributação coincidente com o ano civil, as candidaturas relativas às atividades realizadas em 2024 puderam ser submetidas até 31 de maio de 2025. Tinham, assim, decorrido quase quinze meses desde o prazo geral de candidatura e menos de metade dos processos recebidos apresentava uma aprovação registada.

Os 368,8 milhões de euros de investimento apurado e os 167,8 milhões de euros de crédito fiscal atribuído devem ser lidos neste contexto. Dizem respeito aos processos já aprovados, não ao conjunto dos 2.134,3 milhões de euros de investimento declarado e dos 723,9 milhões de euros de crédito solicitado.

A diferença entre estes montantes não representa despesa rejeitada. Uma parte substancial do investimento declarado permanecia associada a candidaturas ainda em avaliação. Por essa razão, os dados disponíveis não permitem calcular uma taxa final de reconhecimento do investimento para 2024.

2025: apenas três aprovações, num ciclo ainda inicial

Em 2025 foram recebidas 3.630 candidaturas, com 2.354,2 milhões de euros de investimento declarado e 797 milhões de euros de crédito fiscal solicitado. Contudo, apenas três constavam como aprovadas, correspondendo a 7,7 milhões de euros de investimento apurado e 3,2 milhões de euros de crédito atribuído.

Com apenas três decisões, os indicadores de aprovação, as médias e a distribuição anual por dimensão empresarial não permitem caracterizar o resultado de 2025. Descrevem exclusivamente os primeiros processos decididos.

Este dado deve, porém, ser enquadrado no calendário. As candidaturas relativas às atividades realizadas em 2025 puderam ser apresentadas, em regra, até 31 de maio de 2026. À data de atualização do painel, tinham decorrido menos de três meses. O número reduzido de aprovações mostra um ciclo ainda numa fase inicial, mas não permite, isoladamente, concluir pela existência de um atraso anormal nesse ano.

O ponto mais relevante surge na leitura conjunta dos dois períodos: o ciclo de 2025 já tinha sido submetido enquanto uma parte maioritária das candidaturas de 2024 permanecia sem aprovação registada.

A sobreposição dos ciclos prolonga a incerteza

O elevado número de candidaturas em avaliação não é apenas um indicador do ritmo administrativo do processo. Tem consequências na gestão fiscal e financeira das empresas.

Numa organização que recorra ao SIFIDE todos os anos, podem coexistir três exercícios em fases diferentes: a candidatura de 2024 ainda em avaliação, a candidatura de 2025 já submetida e as atividades de I&D de 2026 em execução, suscetíveis de integrar o ciclo seguinte.

O painel não permite quantificar quantas empresas se encontram exatamente nesta situação. Contudo, a dimensão do universo ainda em avaliação em 2024 mostra que esta sobreposição pode abranger um número relevante de candidatos recorrentes. Trata-se de uma inferência sustentada pelo facto de mais de metade das candidaturas daquele ano não ter aprovação registada quando o prazo do ciclo seguinte já tinha terminado.

A principal consequência é a incerteza quanto ao investimento que será reconhecido pela ANI e ao crédito fiscal que será atribuído. A candidatura identifica um investimento declarado e um crédito solicitado, mas estes valores permanecem sujeitos a avaliação. Até à decisão, a empresa não conhece o montante final apurado.

Esta incerteza ganha relevância quando o SIFIDE tem um peso material no planeamento fiscal e financeiro. A empresa pode ter de preparar previsões, estimar o impacto do incentivo e planear novos investimentos sem conhecer ainda o resultado do exercício anterior.

O problema não está apenas no tempo de espera. Está em avançar para novos ciclos mantendo em aberto o resultado dos anteriores. Quanto maior for a sobreposição, maior será a distância temporal entre o benefício estimado, o crédito solicitado e o montante atribuído pela ANI.

Por isso, a gestão do SIFIDE deve separar, em cada exercício, quatro níveis de informação: o investimento declarado, o crédito solicitado, os montantes ainda dependentes de avaliação e os valores já apurados e atribuídos.

Uma abordagem por cenários permite evitar que o crédito solicitado seja tratado antecipadamente como definitivo. A empresa pode trabalhar com uma estimativa central e com hipóteses alternativas, atualizando as previsões à medida que são recebidas decisões. Este acompanhamento torna-se particularmente relevante quando coexistem candidaturas de vários anos em estados diferentes.

A indústria lidera, mas o investimento é diversificado

Entre 2006 e 2025, a indústria representa cerca de 46% do investimento em I&D apurado. Seguem-se informação e comunicação, com 15%, outros serviços, com 13%, comércio, com 11%, e construção e atividades imobiliárias, com aproximadamente 6%.

No detalhe por atividade, informação e comunicação apresenta o maior volume individual, com 1.906,8 milhões de euros. Seguem-se o comércio, com 1.368,8 milhões, a consultoria técnica e científica, com 1.355,3 milhões, os produtos e preparações farmacêuticas, com 979,2 milhões, e a construção e atividades imobiliárias, com 748,3 milhões de euros.

A liderança individual da informação e comunicação não contradiz o peso global da indústria. Esta última agrega vários ramos — farmacêutica, material de transporte, metalurgia, alimentação, equipamentos elétricos e eletrónicos, química ou máquinas e equipamentos — que surgem separados no ranking detalhado.

Os dados confirmam uma forte base industrial, mas também uma utilização transversal do incentivo. O setor da empresa não determina, por si só, o enquadramento em SIFIDE; o essencial é a natureza das atividades de I&D efetivamente realizadas.

As PME representam quase 44% do crédito atribuído

As empresas classificadas como não PME receberam cerca de 3.692 milhões de euros de crédito fiscal entre 2006 e 2025, correspondentes a 56,4% do total.

As médias empresas receberam 1.386 milhões de euros, as pequenas 1.016 milhões e as microempresas 449 milhões. Em conjunto, as PME concentraram aproximadamente 2.851 milhões de euros, ou 43,6% do crédito atribuído.

Existe uma maior concentração financeira nas empresas de maior dimensão, mas o peso das PME permanece expressivo. Estes valores descrevem a distribuição do crédito acumulado; não medem a probabilidade de aprovação por dimensão empresarial.

Também não devem ser retiradas conclusões da distribuição de 2025, baseada em apenas três candidaturas aprovadas. O peso apresentado para cada dimensão poderá alterar-se substancialmente à medida que a avaliação avance.

Gerir o SIFIDE para além da submissão

Os indicadores da ANI mostram duas tendências simultâneas. A primeira é a consolidação do SIFIDE como instrumento de apoio à I&D empresarial, com milhares de candidaturas anuais e presença em diferentes setores e dimensões de empresa. A segunda é a acumulação de processos ainda em avaliação, particularmente visível em 2024. Mais de metade das candidaturas daquele ano não tinha aprovação registada quando o ciclo de 2025 já se encontrava submetido. Em relação a 2025, apenas três aprovações constavam do painel, embora a análise estivesse ainda numa fase inicial.

Estes dados não demonstram uma quebra da despesa aceite nem permitem calcular taxas finais de aprovação para os anos mais recentes. Mostram que os ciclos de 2024 e 2025 se encontram em fases distintas e ainda não estão consolidados.

Para as empresas que recorrem regularmente ao incentivo, a consequência é clara: pode ser necessário gerir, ao mesmo tempo, uma candidatura anterior sem decisão, um novo processo já submetido e outro período de investimento em curso. O desafio deixa de estar apenas na preparação da candidatura e passa também pelo acompanhamento agregado dos vários exercícios e pela integração da incerteza no planeamento fiscal e financeiro.

A sua empresa tem candidaturas SIFIDE ainda em avaliação ou submeteu um novo ciclo sem conhecer o resultado do anterior? A nossa equipa apoia a gestão integrada dos processos, o acompanhamento dos montantes em avaliação e a construção de cenários que permitam incorporar o benefício fiscal no planeamento com maior rigor.

Fonte: ANI, página «Indicadores de Atividade» e painel «SIFIDE — Sistema de Incentivos Fiscais à I&D — 2006 a 2025», com dados atualizados a 25 de agosto de 2026.

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